Ela vive do meu lado por pura identificação

as palavras cresceram
as frases mudaram e
o que eu sentia se juntou
com novos acontecimentos e
tornou toda a minha vida
uma poesia infinita

há pessoas que valem a pena deixar saber
que o que sai de mim é muito mais que desculpa
e não sei e eu não gosto disso
quando eu resolvo mostrar
é quando eu realmente me sinto confortável
para abrir pelo menos um palmo da minha mão
e nela abarrotadas estão todas as perguntas sem respostas
todos os poemas publicados
e todos os sentimentos que eu
já fui capaz de sentir

é nessa hora que olham minha alma
escrita tão livremente
e nem reparam porque acham
que isso tudo é só necessidade de elogio
muito bom, eles me dizem
e eu, decepcionada, me alerto
não era pra ter mostrado
sabendo que ninguém vai entender o que eu escrevi
porque ninguém sentiu o que eu senti

me negam
dizendo que entenderam
e que sentiram pelas palavras que escrevi
e que tocaram eles de alguma forma
só me resta agradecer e continuar
já que não tenho escolha
já que nenhuma dessas palavras
nasceram por necessidade de elogio

mas mesmo assim
todos eles acabam dizendo no final
é um dom! é um talento!
e eu nego sempre
tentando explicar que
às vezes é amor
às vezes é alegria
às vezes é saudade
mas a maior parte disso tudo
é tristeza que precisa se expor
e gritar para todo mundo que ela existe
porque ela se sente terrivelmente sozinha
sempre e eu acho que isso acontece
porque ela vive muito junto a mim

The most beautiful thing of my life happens everyday

I can’t write about you
without a smile on my face
because you gave me
so much joy and
happiness and
love to feel
that it would be cruel and
heartless if I could

the world is completely
different for me because
I love you so much every day
that passes in my life
and this changes everything

the way I live, they way I love
the way I talk to people
the way I get up in the morning
the way I feel about myself
and the way I feel about the world

you are the thing I love the most in life
and I always write about that
and it never stops being
the biggest truth of all

maybe when I die
all of this won’t matter anymore
but I don’t want this to happen
because you are
and has always been
the greatest source of pureness
that I witnessed

that thing we call genuine
that’s what I feel for you everyday
everytime I remember you
I feel the most pure, genuine feeling that I’ve ever felt

and it fills my whole
body and soul and
heart and head and
eyes and lungs and
veins and suddenly
I realize I’m always full of you

and then I realize I’m always
happy because I have you
and I never felt something that strongly
and I don’t want to lose it
because maybe this feeling
is what I need to have the certainity
that I’m living and not just alive

I’m living for you
with the most happiness that can exist
and I want it more and more and more
and every time I write about you
I need to thank
because not everyone can have
the honor to feel such feeling with that much passion

so thank you
I’ll never get tired
to say this because
I feel gratitude for
the way I feel when I
remember of you in the middle of the day
and I feel gratitude for
what I became because of you

thank you for exist
everything you make me feel
is just a beautiful consequence

The world showed me how different we are

I spent the whole day by your side
just talking to you
because there was no one else to talk to
you spent the whole day by my side
talking to a different person
in each place we passed
with each one of them, a different subject
and the subjects were very short because
they always existed between one step and another

I told you
I haven’t spent a day by your side
without you talking to someone

and you told me but this place is an egg
justifying your popularity
as if it wasn’t something big
I replied and yet
you never saw me talking to anyone
but you

all day long
I admired this nature of you
that wants to show yourself more than normal
that wants to compliment, wants to think
that wants to know more and wants to be heard

I swear I tried to disguise
looking at other people
but I only had eyes for you, again
because you’re everything I’m not

we said goodbye in a tight, unexpected hug
and then I saw you walk away too fast
restless, like in a hurry
or maybe you were calm
And I, who’ve never been in any hurry
couldn’t be able to interpret your stride

then I did a different path
and while waiting for the bus, I saw you
seated on the sidewalk in front of a bar
surrounded by friends and strangers
also sitting on the sidewalk
the cars were passing behind you
and everybody didn’t stop smiling

across the street, me
alone and serious
looking at you shamelessly
noticing your entire environment
and how you behave when I’m not around
it makes no difference, I realized

all that haste was simply
for sit on the sidewalk of a bar and
laugh with a bunch of people
where none of them was the same
the ones you had found earlier

you must had met and spoken to more than ten people today
and I only talked to you

I’ve never been in a hurry for bar
not even to friends
and that makes me question the way I live
once again comparing myself
but your life really seems to be
more interesting than anyone’s

when you got up and put your backpack
I gave up and left
I didn’t want to wait any other bus
and I didn’t want you to see me there
because I didn’t want you to see
that my life is the opposite of your

maybe I write in vain
to someone who, if being with me
will hurry up for other people
and I will ask quietly
but, my love, why the rush, if we have us?
and you will look me in the eyes
and I’ll have already realized
that this will never be enough
not for you

Eu, que escrevi sobre finais, hoje ganho um seu

acabou o romantismo dessa sessão de ilusões
que escrevo toda semana pra você
naquele exato momento em que vi tão de perto
em meio a tantas bicicletas
você, eu, a bicicleta amarela velha e ela
poderosa, tinha a bicicleta e você

quando meus olhos lhe procuraram
em meio as pessoas que iam e voltavam de
suas rotinas tediosas sem você
mesmo de perto, eu vi com a visão um pouco turva
a sua boca na dela e ela a sorrir
segurando o capacete da bicicleta amarela

foram mil beijos
até vocês tomarem caminhos diferentes
e eu lhe esperando há tanto tempo
quase um ano ou 14 segundos
ouvindo os estalos dos beijos dos dois
lá bem no fundo do vazio
que eu sempre tive quando
se trata de relações humanas
e de você

ela foi embora e você então seguiu comigo
mas continuou a falar do nome dela, que não me lembro
do jeito dela, que não ouvi
da necessidade por ela, isso bem me lembro
com a imagens de vocês na cabeça
vivendo tudo o que lhe escrevi

e hoje volto eu aqui
nesse mesmo lugar que
já foram escritas tantas palavras
felizes causadas por você
para lhe escrever que talvez seja melhor
parar antes mesmo de alguém descobrir que
eu sou fraca e esperava isso tudo acontecer
só não hoje

eu fiz do cotidiano poema
porque era assim que
eu me sentia do seu lado
e agora está tudo acabado
tudo embaçado, tudo meio amarelo
mas os estalos estão claros

A minha escrita nunca vai embora

eu sempre senti muito o final de tudo
e encarar isso me traz a profunda tristeza
que eu senti quando meus avós acabaram
quando minha infância acabou
quando meu colégio acabou
quando meus sonhos acabaram
quando o amor dos meus pais acabou
e tantas outras coisas, momentos
pessoas, lugares e sentimentos

a mesma tristeza
desde sempre
eu não criei esse medo
ele veio ao mundo junto comigo
e se fez presente igualmente
em momentos banais e importantes

eu perdi um brinquedo na praia
o mar engoliu uma pá amarela
que eu sempre levava
e eu chorei

e quando a tinta de uma caneta acabava
eu olhava pro lixo e olhava pra ela
e lembrava de quantas palavras
ela me deixou escrever

ela ficou por dois anos
e meio no meu estojo
sem tinta, até que eu
conseguisse jogá-la no lixo

eu usava pulseiras na adolescência
eram de pano, muitas
e um dia eu tive que tirar todas
porque nenhuma se sustentava mais
desfiaram

eu me despedi de todas
sentada na porta do banheiro trancado
chorando baixo pra ninguém escutar
o quão ridícula eu era por sofrer
tanto com o fim de pulseiras
que nunca tiveram nem um começo

sempre foi assim
e hoje eu não estranho mais
eu só me envergonho
e continuo sofrendo por essa incapacidade incrível
surreal
infantil
e imatura
de não aceitar o fim de nada
e qualquer coisa
que eu goste um pouquinho

eu concluí que não vale a pena conhecer tanta gente
porque alguns eventualmente vão acabar indo embora
e eu nunca quis pagar pra ver
quem ia ficar e quem ia sair
da minha vida assim
tão fácil

e tudo segue assim, sem parar
eu nunca mudo nada, porque as coisas já se mudam sozinhas
eu não vou contribuir pra isso
nem um segundo da minha vida

isso se torna um sofrimento constante
quando você lembra que a mochila que você gosta
você usa há cinco anos
e pensa alguma hora ela vai rasgar
e eu não vou poder mais usar
e vou ter que comprar outra
e ela vai simplesmente parar de me acompanhar por aí
depois de tanto tempo

a mesma tristeza profunda toma conta de mim
e entristece todo o meu corpo
me puxa pra baixo e me diz
era melhor nem ter comprado essa mochila
era melhor nem usar mochila
era melhor não usar nenhuma caneta
era melhor nem amarrar nenhuma pulseira
era melhor não ter nenhum amigo
era melhor não gostar de nada
e de ninguém
era melhor eu nem ter chegado até aqui
olha a quantidade de coisa que já perdi
era melhor nem ser

e curiosamente eu
que tenho tanto medo do fim de tudo
me vejo desejando o meu próprio fim
simplesmente porque vai ser o único
que vai me tirar essa tristeza geral
e esse desespero ansioso
e vai me dar finalmente a paz
de não perder nada nunca mais

Era só me ligar

você me chamou pra dançar forró e
mal sabe que eu já imaginava
seu corpo junto ao meu há muito tempo

eu odeio forró
mas eu iria mesmo assim

você reclamou que nunca veio na minha casa
mas mal sabe que por onde eu passo
tem sempre um pouquinho de você que eu sempre levo

aqui em casa tem você
em todos os cantos

hoje eu ajudei a lhe mostrar
as cores certas e você
pela primeira vez me pareceu perdido
eu não soube como lhe acalmar
eu só separei os verdes pra longe
que você cismava em pegar achando que era cinza

o desenho, que era pra ficar realista
ficou brega
e me identifiquei
é o que eu faço toda semana
quando tento escrever o que você me passa
e o que você me faz sentir quando nos encontramos

eu escrevo algumas palavras tentando
contar o dia ao seu lado
mas onde é pra ser cinza
eu acabo pintando de verde e
todos os poemas viram cartas de amor
melados de romantismo

eu nunca suportei esse romantismo todo
mas por você nem parece tudo isso

no final do dia, concluímos
eu tenho foco, mas não tenho objetivos
você é cheio de objetivos, mas não tem foco nenhum
o que falta em mim, há em você
e o que há aqui, lhe falta

pode não dar certo
mas me soa uma oportunidade perfeita
não pra gente resolver nossos problemas
mas para tê-los juntos
e torná-los brega
e rir no final
até a gente começar a chorar

Ainda dá pra sair de casa usando calça listrada e blusa de bolinhas

eu não tenho maturidade para ficar atrás de você
eu fico reparando a sua roupa, o seu estilo, o seu modo
de vestir tudo isso que é tão bonito de ver
mas deve ser tão melhor de sentir

o seu sapato, por exemplo
camurça marrom, cadarço fino
é praticamente um sapato de velho o que você calça
mas em você fica lindo mesmo quando combina
com uma blusa azul de algodão e uma calça jeans preta

eu reparo até na sua cabeça
parece a mais bonita que já vi
e seu cabelo grande me traz de volta
o grande dilema da minha vida que é
não saber se eu gosto mais de você
com ele grande ou cortado
eu acabo sempre na mesma conclusão
ah, deixa. eu só gosto de você

então eu chego à nuca e perco
o pouco controle que eu tenho
sobre meus pensamentos quando me vejo atrás de você
dá vontade de pintar num quadro enorme
e processar todos os museus do mundo inteiro
por não tê-lo em suas exposições

deveriam fazer uma só pra esse
que não tem nem nome ainda
mas na verdade pouco importa o nome
o que importa mesmo é que ela está na minha frente agora
e eu nada posso fazer a não ser
escrever poemas tortos sobre a sua beleza tão estável

veja bem, não combina o torto com o estável
assim como não combinamos
mas dá pra ter os dois no mesmo lugar

e depois eu sempre reparo na sua mão
nos seus dedos, na sua palma, nas unhas
e é nessa hora que dá vontade de lhe puxar pelo ombro
parar essa aula que segue diante desse poema
e lhe gritar que é esse o seu grande poder

eu estou sentada atrás de você
escrevendo sobre o seu sapato de camurça,
pintando sua nuca em museus do mundo todo
e admitindo que eu sempre acabo na sua mão

não é sã uma pessoa que escreve tanto sobre você
mas talvez feliz ela seja
por lhe ter na frente dela tantos dias
para poder escrever tantos poemas
e precisar abrir uma nova categoria no lugar onde publica
porque se não, desorganiza tudo para quem quiser
acompanhar essa maravilha de registro
do meu amor por você